A Luz dos Aboim

05/04/2011

O Campeonato num só jogo

Filed under: SLB — Etiquetas:, , , , — BLA @ 15:37

Neste domingo passado pudemos, infelizmente, assistir no anfiteatro da Luz à projecção da totalidade das importantes incidências do filme deste Campeonato Nacional, no que ao Glorioso diz respeito. As incidências da partida contra o FCP sintetizam bem aquilo que foi a nossa época, na prova em que defendíamos o Título. A saber, cinco pontos cruciais:

  1. Fracas e parcas soluções na constituição da equipa, derivadas do (já muito mencionado, aqui) mau planeamento e má planificação do plantel. Sempre dissemos que o Luis Filipe não era solução, pela sua inegável falta de qualidade. E tê-lo no plantel nem sequer é “tapar um buraco”, uma vez que, como se viu no domingo e se tem visto em inúmeras ocasiões, ele nem convocado é para jogos em que não há defesas laterais direitos disponíveis… A manta foi, desde início, muitíssimo curta! Se se tem o Maxi lesionado, se se puxa o Airton para lateral direito, se se tem o Martins e o Amorim lesionados, a manta não cobre tudo. A má planificação do plantel ficou bem patente na necessidade de entrarmos neste jogo com fracos remendos em duas posições (lateral direito e avançado) e, principalmente, sem opções credíveis no banco para as restantes…
  2. (Algumas) más opções técnicas. Não queria incidir muito neste ponto – até porque acho que o JJ tem tido boas opções na generalidade da época. É óbvio que uma opção é uma opção e pode resultar ou não. E mais uma vez digo, o JJ é a pessoa mais bem colocada para optar seja por que for na constituição da equipa e sua estratégia. No entanto, houve algumas situações durante a época em que as suas opções poderiam ter sido melhores, na minha opinião. E isso pôde voltar a ser observado neste encontro, na atribuição (na minha opinião, erradamente) do papel de avançado-que-segura-a-bola a um jogador como o Franco Jara. Não sei se concordarão comigo, mas eu acho que o Jara será o natural substituto para a posição do Saviola, pela sua rapidez e técnica; enquanto o Kardec, principalmente pelas suas características físicas, será o natural substituto para a posição do Cardozo. Ora, não vejo inconveniente nenhum em que se mude as características atribuídas a uma posição específica, num determinado jogo, para melhor se acomodar nela um jogador com diferentes características das do seu predecessor. O que será o mesmo que dizer que podem jogar sempre os melhores 11 disponíveis do plantel, desde que se adapte o estilo de jogo a cada uma das características dos melhores 11. Acho o Jara melhor jogador que o Kardec. No entanto, o problema aqui é que se vamos colocar o Jara no meio dos centrais adversários e para ele bombear bolas altas (à lá Cardozo), talvez não seja melhor opção do que lá ter o Kardec… Ele quis lá pôr o Jara dentro porque é melhor que o Kardec, mas não aproveitou aquilo que faz dele melhor… Resumindo, não basta pôr em campo os que achamos serem melhores, convém atribuir-lhes tarefas que se coadunem e potencializem o que de melhor eles têm – caso contrário, poder-se-ão queimar…
  3. Interferência das arbitragens no desenrolar dos jogos. À imagem do início do Campeonato, logo nas primeiras jornadas, também neste jogo, logo nos minutos iniciais, se começou a perceber para onde iriam “tender” as decisões da equipa de arbitragem. O Otamendi faz uma falta grosseira e anti-desportiva a meio-campo, impedindo um contra-ataque perigoso do Aimar e não recebe o cartão amarelo devido. Mais tarde, faz penalty na sua área, impedindo o Jara de se isolar directo à baliza, e só é admoestado com cartão amarelo. Seria o segundo amarelo, caso tivesse (como devia) visto o primeiro amarelo nos minutos iniciais. No entanto, deveria neste penalty ter visto o cartão vermelho directo. Na segunda parte acaba por ver o segundo cartão amarelo, numa fase em que “o mal já estava feito”. O Moutinho é admoestado com cartão amarelo por uma falta que tem o dobro da agressividade e perigo da falta que o Cardozo faz antes e lhe vale o vermelho directo. Ao Fucile, ao Sapunaru, ao Guarin e ao Rolando é permitida uma agressividade nas entradas às bolas que ao Airton, ao Fábio, ao Javi e aos nossos centrais significa instantaneamente cartão amarelo! Tal dualidade de critérios, em benefício da equipa portista, aplicou-se a quase todos os lances no domingo passado. Assim como à quase totalidade dos jogos deste Campeonato. Assim se “fez” um Campeão…
  4. Falhanços do Roberto. O Roberto foi uma aquisição de 8,5 Milhões € e que tinha a finalidade de nos “ganhar” pontos a partir da baliza. Doou-se o Quim ao Braga e despendeu-se a terceira maior maquia de sempre do clube na contratação de um jogador (atrás do Simão e do Cardozo). A pré-época começou mal, com falhanços gritantes muitas vezes explicados com a adaptação à nova bola. O início do Campeonato foi paupérrimo com responsabilidades directas na grande parte dos golos sofridos nas primeiras quatro jornadas. Melhorou de seguida, ganhou confiança e ajudou, inclusive, a conquistar pontos em fases e jogos difíceis. Voltou a falhar em Braga e no passado domingo deu um dos maiores “frangos” que já vi. Nessa jogada, a colocação do corpo dele nem sequer é de Guarda-Redes! A forma como o Roberto permite que a bola entre na baliza pelo espaço que deixa entre o seu corpo e o poste, ao invés de se virar de costas para o poste e baliza, protegendo as suas redes, é incrível! A maneira como, desajeitadamente, tenta agarrar a bola, acabando por colocá-la dentro da baliza é infantil e ridícula! Sempre quis manter a calma e não rotular instantaneamente o Roberto de falhanço. É um jogador jovem e, sendo Guarda-Redes, com 24 anos tem ainda muita margem de progressão. Fisicamente, parece-me ter as características necessárias para ser um bom jogador. Mas, apesar dos pontos que já nos garantiu (porque isso também aconteceu), começa a ser complicado desviar-nos dos óbvios e crassos erros que tem cometido durante toda a época. Não vamos contabilizar pontos, somando ou subtraindo as contribuições que ele teve, pois não sabemos como se desenrolariam os jogos sem as incidências de que foi responsável (frangos ou defesas importantes), mas parece-me poder ser seguro afirmar que não era este o retorno que se esperava poder ter de um investimento de 8,5 M€. Argumentar-se-á que é um investimento com potencial e não pode ser julgado à primeira época, mas rebato que se era para render daqui a dois ou três anos, não deveria ter custado tanto dinheiro hoje… O Quim nunca foi fabuloso – e nós vimos o Saint Michel actuar inúmeras vezes, portanto estamos aptos a classificar o que é “fabuloso” –, e acho o Roberto mais simpático e com mais futuro, mas acabámos por doar um Guarda-Redes Campeão e substituímo-lo por um que nos trouxe aquilo que há muitos anos não experienciava-mos: intranquilidade na baliza. Não há bola que não sobrevoe aquelas zonas em que nós (e os seus colegas) não tremamos de nervosismo…
  5. Desacatos e falta de fair-play. O Campeonato fica, também, marcado pela proliferação dos actos terroristas perpetrados por hooligans anti-Benfica. Tudo começou na época passada quando o Glorioso se deslocou às Antas com o intuito de lá vencer e se sagrar Campeão Nacional. Fomos recebidos com pedradas, o Aimar e o Kardec foram atingidos por estilhaços dos vidros do autocarro e, no relvado, choveram milhares de bolas de golfe. A moda pegou e espalhou-se. Esta época fomos assim recebidos novamente no Porto, em Braga e em Guimarães e houve ataques que visaram e atingiram perigosamente a nossa comitiva quando em deslocações pela auto-estrada do Norte. É triste ver que o recém-renascimento do Benfica em termos futebolísticos, catapultado para as conquistas de títulos pelas magníficas exibições de bom futebol, pode instilar tanto temor e ódio nos adversários. O poder instalado há mais de vinte anos no futebol, e as comodidades a ele associadas, tremeu. Infelizmente, as acções não se ficaram por adeptos anti-Benfica e, no passado domingo, houve retaliação (ainda que em muito menor escala – incomparável) por parte de adeptos com as nossas cores. Era bom que este tipo de acções tivesse ficado conotado apenas com aquele tipo de adeptos, mas a reacção de alguns dos nossos adeptos, ainda que reprovável, acaba por estar directamente relacionada e justificada pelo sentimento de impunidade que têm os prevaricadores anti-Benfica, anteriormente responsáveis por bárbaros ataques e nunca responsabilizados pela Justiça! Fica este jogo, como a restante época futebolística nacional, também marcado pelos actos violentos que houve, incluindo aparato policial, arremesso de objectos para o relvado e quezílias de parte a parte. Lamentável…

 Desculpem a extensão do post, mas pareceram-me cinco pontos fulcrais do último jogo e do Campeonato que agora virtualmente terminou.

Viva o Glorioso!

Anúncios

1 Comentário »

  1. Excelente post!

    Boa análise e muito bem escrito!

    Viva o Benfica!

    Comentar por Mr C — 05/04/2011 @ 16:33


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

%d bloggers like this: