A Luz dos Aboim

07/06/2012

Balanço de mais um campeonato da mentira (parte 2)

Filed under: SLB — Etiquetas:, , , , — BLA @ 17:29

No seguimento do primeiro artigo deste balanço sobre a época de futebol 2011/2012, no qual abordámos as decisões erradas da arbitragem e a sua influência directa nos resultados dos jogos disputados pelos três principais emblemas nacionais e na conquista do Título pelo Porto, abordemos agora as causas internas que, embora não sendo decisivas, poderão ter contribuído para um desempenho menos regular da equipa do Benfica, em algumas fases da época desportiva. (a este respeito, consulte-se também este excelente artigo, do ivo980 neste blog)

Esta época começou de forma positiva, após um penoso final da época anterior. Renovámos o plantel em algumas áreas necessárias, com alguns jogadores de qualidade inequivocamente superior, superámos as pré-eliminatórias de acesso à Liga dos Campeões, praticámos um futebol vistoso, amealhámos pontos, chegámos ao topo da classificação na Liga, construímos uma vantagem confortável, vencemos o nosso grupo na Liga dos Campeões e……voltámos a entrar em colapso no último terço da época!

Na nossa óptica – e abordada que foi a temática da muito importante influência das arbitragens no desfecho da época benfiquista – as causas internas que também terão contribuído para este desfecho foram:

  • A má constituição do plantel, no que respeita à falta de equilíbrio e competitividade por zonas – de que são exemplos perfeitos a ausência de um lateral direito como alternativa ao Maxi, ou a ausência de extremos direitos (à excepção do Enzo Pérez e do Yannick, mas já lá vamos) no plantel;
  • A má constituição do plantel, no que respeita aos erros de «casting» – de que são exemplos perfeitos as contratações falhadas, por diferentes motivos, do Enzo Pérez (falta de adaptação do jogador) ou do Yannick Djaló (falta de qualidade);
  • A contínua teimosia do treinador JJ – de que são exemplos a insistência até à exaustão pela titularidade do Emerson («queimando» o jogador, entretanto), em detrimento do Capdevila que poucas hipóteses teve; a ausência absoluta do Saviola em largas partes da temporada; a insistência na contratação do Yannick, etc;
  • A contínua falta de capacidade do treinador JJ em promover a rotatividade do plantel – de que são exemplos os poucos jogos efectuados por jogadores como o Matic, David Simão ou Capdevila, nas alturas em que mais interessava (alturas de grande número de jogos);
  • A contínua falta de capacidade da equipa técnica em dotar os jogadores de maior capacidade física – mesmo após os dois anos anteriores de experiências de declínio acentuado da forma física no último terço das épocas (situação que fica intimamente ligada à falta de rotatividade do plantel, mas não só – a condição física não tem sido bem trabalhada);
  • Alguns equívocos tácticos do treinador JJ – de que são exemplos, as seguintes situações:
    • Embora refreando algum do exagerado ímpeto ofensivo que em épocas anteriores nos custou alguns dissabores (nomeadamente, na Europa), o treinador JJ voltou a cair no erro de, em algumas situações de desvantagem no marcador, fazer entrar em campo todos os avançados convocados para o jogo, criando dessa forma um fosso enorme entre defesa e ataque e praticamente acabando com as hipóteses de reviravolta no marcador, por força da incapacidade criativa da equipa;
    • A insistência em fazer actuar à esquerda um extremo que usa preferencialmente o pé direito e à direita um extremo que usa preferencialmente o pé esquerdo. Esta opção é particularmente boa para esquemas tácticos que prevejam a utilização de um único Ponta-de-Lança (preferencialmente, mais estático e posicional), fazendo com que os extremos «trocados», quando em posse da bola, flictam para dentro, transformando-se em avançados. Ora, para esquemas tácticos que prevejam a utilização de dois avançados altos no meio da área (Cardozo e Rodrigo), a lógica terá que ser a de os extremos realizarem centros para a área e não flectirem para dentro da mesma, “entupindo” os ataques. Para realizar estes centros, convirá utilizar-se à esquerda um extremo que usa preferencialmente o pé esquerdo e à direita um extremo que usa preferencialmente o pé direito…;
    • A inexplicável opção por utilizar, por diversas vezes neste final de época, o Aimar demasiado longe da bola e demasiado junto ao Cardozo, na frente de ataque – total ausência de criatividade nos momentos ofensivos;
    • A inexplicável opção de não colocar em campo o Witsel, desguarnecendo o meio-campo e apostando em dois avançados num difícil jogo fora de casa, em Guimarães, quando tínhamos cinco pontos de vantagem na Liga e estávamos a meio da eliminatória dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, contra o Zenit;
  •  A ausência do Carlos Martins e a consequente ineficácia nas bolas paradas – a sua ausência foi sentida a vários níveis, quer na garra e empenho que sempre coloca em campo, quer na capacidade sublime de passe a longa distância, quer particularmente na marcação das bolas paradas ofensivas (cantos e livres), onde fomos de uma total ineficácia;
  • A ausência de uma estratégia de comunicação inteligente, com classe e com posições mais pertinentes acerca de arbitragens e outras questões do dia-a-dia do clube – como são exemplo a falsa tentativa de não discutir arbitragens, a quase seguida crítica dura das arbitragens unicamente quando perdemos, o contínuo (embora muito menor que há uns anos e, portanto, com melhorias visíveis) aparecimento de declarações de jogadores nossos nos jornais, em críticas à gestão do clube (Amorim, Enzo Pérez), o desaparecimento e falta de apoio ao treinador em momentos-chave da época, a ausência de preponderância, imagem e influência do Rui Costa, etc.

Estas são, portanto, algumas das causas internas, identificadas por nós, para o desfecho desportivo desta época 2011/2012 do futebol do Benfica. Outra haverá, provavelmente. Esperemos que a estrutura do Futebol do clube identifique estas e outras lacunas e que utilize a sua ocorrência como aprendizagem para o futuro. Não temos dúvidas que o tem feito, pois tem sido notória a capacidade desta equipa em limar arestas e melhorar o seu desempenho, mas há ainda muito trabalho para fazer e muito por onde melhorar.

Viva o Glorioso!

 

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